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Kuma ku bu sta - missionária sentada ao lado de jovens guineenses conversando.

Kuma ku bu sta?

Kuma ku bu sta? Assim se pergunta “como você está?” em crioulo da Guiné-Bissau. Apesar do português ser a língua oficial do país, menos de 15% da população tem um domínio aceitável da Língua Portuguesa. Por aqui o Kriol é a língua franca.

O que é mantenha?

Os guineenses são muito relacionais e apreciam uma boa “mantenha”, que significa saudação em crioulo. E ela não é feita de maneira apressada. Por isso, se você estiver com pressa e saudar alguém, é melhor desacelerar e responder com gentileza aos cumprimentos. Pois geralmente se alongam perguntando genuinamente como está a família, a saúde…Isso cria um sentimento de aceitação na comunidade.

E por falar em pertencer, no mês de dezembro recebi meu documento de residência em Guiné-Bissau. Um passo importante, que traz mais estabilidade para continuar servindo aqui com tranquilidade.

Ao contrário de muitos jovens guineenses, que enfrentam a morosidade da burocracia para estudar e trabalhar fora do país, no meu caso o processo foi rápido e sem complicações. Além disso, tenho percebido que voluntários e missionários costumam ser bem-vindos para contribuir com o país, e isso tem facilitado o caminho.

O “Kuma ku bu sta”? Já sai naturalmente

E como já não sou apenas uma turista, mas residente de Bissau, passo a viver algumas experiências como os locais: pegar toca-toca todos os dias, fazer compras nos mercados frequentados pelos guineenses e usar meu crioulo para pedir desconto ao pegar um táxi, quando algum motorista tenta cobrar um valor mais alto só por eu ser estrangeira.

Essas ações simples podem ser desafiadoras e cansativas quando estamos inseridos em outro contexto cultural. Por isso, não costumo ir sozinha ao caótico mercado de Bandim, sempre convido meu amigo guineense, Wil. Na primeira vez, fomos juntos para comprar presentes para algumas crianças da minha rua e brindes para os adolescentes da Escola Sabatina.

Ser moradora em Bissau me traz desafios, mas também muita alegria. Um momento que aprecio é quando, nas idas à academia, ao mercado e nas viagens de toca-toca, percebo que já não sou apenas a estrangeira: ouço meu nome dito pelos guineenses e, logo depois, vem a “mantenha”. É nesse instante simples que sinto pertencer.

Diversidade em Bissau

Convidei o Wil para uma refeição. Em um almoço especial de sábado, compartilhamos haystack (palheiro, em inglês) no contexto culinário americano refere-se geralmente a um prato “desconstruído”, muito comum em reuniões familiares. Algo que também foi apreciado pela missionária americana que está conosco. Como dá pra ver, diversidade cultural é o que não falta.

Além do crioulo e do inglês, sou professora de francês na Casa Novo Tempo. No início, atuei apenas como substituta, e isso foi suficiente para me deixar bem nervosa. Mas como eu já assistia às aulas e conhecia os alunos, o nervosismo passou, e pude aproveitar a companhia deles e ensiná-los.

Claro que não sou fluente, nunca havia dado aula de língua francesa, o que me fez sentir insegura e até impostora. Porém, aprendi que o pouco que sei pode ser compartilhado com quem ainda nada sabe. Basta estar um passo à frente para ensinar um iniciante. Para cada aula, há oração, planejamento e preparo. E quanto mais ensino, mais aprendo.

Como é meu trabalho em Bissau?

Graças ao trabalho de outros missionários, há muitos jovens, crianças e adolescentes interessados em ouvir mais sobre Jesus. Por isso, gosto muito de passar tempo com as crianças e adolescentes na classe bíblica, na classe dos adolescentes, no culto JA e nos Clubes de Aventureiros e Desbravadores. São cerca de 30 crianças e jovens que participam regularmente das atividades do grupo Antula.

Mas atuo de maneira mais direta com os adolescentes na Escola Sabatina. E de segunda a sexta, estudo a lição com Yanique e Ivanildo, preparando-os para conduzir a classe e apresentar o estudo aos demais.

Já nos clubes, estou presente dando suporte na organização dos participantes e na manutenção do ambiente durante as reuniões. Além disso, participo de outras atividades, como o culto de oração do grupo e momentos de cultura geral com os alunos da escola Casa Novo Tempo.

No fim das contas…

Tornar-se residente nesse país não começa pelo documento. Primeiro, é preciso relacionar-se e aprender a fazer uma boa “mantenha”. Depois, misturar-se como um local pelas ruas, mercados e toca-tocas da vida, mesmo que haja constrangimentos ou confusões no início. É importante ser intencional para construir novas amizades, compartilhar refeições e histórias de vida.

Isso traz senso de pertencimento e alivia o peso da saudade do que é familiar. E, aos poucos, nos torna ponte e luz, para que outros também possam pertencer ao Reino de Deus. Não esqueça de orar por essas pessoas. Há muito poder na oração de um justo. (Tiago 5:16)

Danielle Custódio está servindo como missionária de curto prazo desde setembro de 2025, no projeto Geba, em Guiné-Bissau.